Olho pro meu passado docemente. Durando meu dia-a-dia penso se isso é uma benção ou um castigo, se fico feliz ou me entristeço, se é um dom ou uma maldição. Ele ensina a todos nós a dor a outra face, a sempre perdoar, e mesmo não sabendo muito sobre suas leis, vejo que sem perceber sou uma aluna assídua desse ensinamento. Tenho medo de admitir, não quero nem escrever tal pergunta que me farei agora mas até quando isso é bondade? Será que não é apenas um desejo enorme de permanecer as pessoas perto? Pois o fato de associar o perdão a benfeitoria é casual, mas é difícil aceitar que isso exista em mim. Logo eu, tão leviada, tão entregada as coisas mundanas, falar de perdão me parece tão divino e distante. Seja lá o porquê e o que me leva a isso, mas eu perdoo. Durante meus primeiros momentos de mágoa, embriagada na decepção, faço atitudes estúpidas (maldita escorpiana impulsiva), tão as vezes cruéis que parecem que nunca retornarei a ser o ser sensível e carente que era antes. Mas depois o furacão de emoções que sou passa, e fica a brisa leve com gostinho de saudade.. juro, juro mesmo, que tento reacender no mínimo uma ventania do desgosto que tive, mas só recebo a briza e o constante gostinho de saudade. É nessa hora que eu ligo o ''foda-se'' pra qualquer lado racional que eu tiver e perdoo. Não consigo sentir esse ódio, essa mágoa que vejo por todos os lados nos olhos dos outros, meu coração recusa-se. Já fui feita de boba, já paguei de puritana, de falsa, me julgam o tempo todo por isso. Como disse antes, não sei se é bom ou ruim, apenas perdoo, e enquanto isso fizer de mim alguém melhor e mais feliz, continuarei assim.
''Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se.
Você quer ser feliz para sempre? Perdoe.''